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Quais as etapas do processo de produção do papel?

A produção da celulose requer da indústria um passo a passo criterioso. Dessa forma é extraída celulose de qualidade para produção de papel.

A indústria brasileira de papel e celulose é a maior produtora de celulose de fibra curta do mundo. Isso porque o clima brasileiro favorece a plantação de eucalipto, que é a matéria prima para este tipo de celulose. Este produto é um dos mais exportados no país, contribuindo em grande escala com a economia brasileira.

Por outro lado, outros países produtores se destacam pela produção de celulose de fibra longa, pois seus climas favorecem o plantio de pinus, utilizadas para fabricar esse tipo de produto.

Desde o ano de 2012 o Brasil vem investindo na indúsitra de papel e celulose, e segundo dados do site Comexstat, no primeiro semestre de 2019 as exportações da indústria de papel e celulose chegaram a US$ 5,6 bilhões. Um destaque é que somente a China comprou US$ 3,3 bilhões em produtos do setor em 2019. 

Em 2020, mesmo com a situação da pandemia do Covid-19, a IBÁ (Indústria Brasileira de Árvores) divulgou que o Brasil teve alta de 6,4% na produção de celulose, chegando a 21 milhões de toneladas fabricadas.

Diferente de 2019, em 2020 houve redução do volume de celulose comprado pela China. Isso pois o país asiático gastou US$ 2,9 bilhões, sendo 11,7% a menos do que no ano anterior.

Mercado interno x Exportação

No Brasil, embora boa parte da fabricação de papel seja auto-suficiente, o papel imprensa precisa ser importado. Assim, 70% do papel imprensa utilizado no país é importado, sendo que 80% desse volume vem do Canadá.

Essa importação é necessária porque é um tipo de papel fabricado com celulose de fibra longa, que não é abundante no Brasil.

Segundo dados da IBÁ, em 2016 31% da produção de celulose do Brasil foi utilizada no mercado interno, enquanto que 69% foi destinada para exportação. Já a produção de papel teve 80% do volume destinado para o mercado interno, portanto apenas 20% para a exportação do produto.

Ainda considerando a fonte IBÁ, esta divulgou que em 2020 foram exportadas 15,6 milhões de toneladas de celulose, volume 6,1% maior do que em 2019.

Produtos da indústria de papel e celulose comuns na rotina das pessoas

A celulose é a matéria prima para produção do papel, utilizado na vida das pessoas o tempo inteiro. Muitas vezes, as pessoas nem sabem quais são os tipos de papel que utilizam no dia a dia, afinal tudo acaba sendo considerado um único material.

Mas na indústria de papel e celulose, conforme o tipo de papel a ser produzido, é necessário submeter a celulose a diferentes tratamentos.

Quando a produção é para papel de escrita, por exemplo, é preciso que o produto final seja capaz de absorver a tinta ou lápis, e seja áspera o suficiente para isso. 

Por outro lado, as embalagens devem ter determinada rigidez e resistência, conforme seu uso.

Além destes, outros papeis produzidos na indústria de papel e celulose são: sulfite, couché, jornal, reciclato, kraft, vegetal, fotográfico, supremo, entre outros.

Preparação da matéria prima

Na natureza, as árvores são derrubadas, desgalhadas e as toras são cortadas para que sejam encaminhadas para as indústrias. Lá são separadas por tamanho para então entrar no processo produtivo.

Ainda na etapa de descascamento, materiais que não são aproveitados como casca, galhos e folhas são deixados no local de extração da madeira para servir como matéria orgânica.

As toras que chegam às indústrias são então encaminhadas ao picador, onde serão transformadas em cavacos (pedaços pequenos de madeira). Por outro lado, as toras que não podem ser utilizadas na produção, passam para a área de geração de energia.

Depois que os cavacos são padronizados, acontece o estoque em silos, que depois serão encaminhados aos digestores.

Polpeamento

Para produzir papel, é preciso ter a polpa de celulose ou pasta de celulose. O processo de polpemanto acontece a partir de processos mecânicos, semiquímicos e químicos.

No polpeamento por processo mecânico, há utilização de prensa a úmido contra um rolo giratório de material abrasivo. Como resultado, é possível conseguir um rendimento de 90 a 95%, que é considerado alto. Porém, nesse processo não há separação completa das fibras de outros componentes do vegetal. E como não há branqueamento neste caso, este tipo de papel é utilizado para fabricar jornal e revistas.

Já no caso dos processos semiquímicos, há utilização de alguns reagentes químicos. É possível utilizar sulfito, carbonato ou hidróxido de sódio com nível de pH neutro. Com isso, é possível dissolver a lignina e os carboidratos, e as fibras são separadas com maior facilidade e sem utilizar tanta energia como acontece no processo mecânico. Aqui o rendimento do processo fica entre 65 e 90%.

Finalmente, quando falamos em processos químicos, existem algumas opções. Atualmente, o processo químico mais utilizado pela indústria de papel e celulose é o chamado Kraft. Este consiste em combinar hidróxido de sódio e sulfeto de sódio para agir nos cavacos de madeira. O rendimento neste caso fica entre 40 e 65%, e o processo de branqueamento é facilitado.

Cozimento e dissociação da lignina

A etapa de cozimento, é quando acontece a dissociação da lignina. Também é nesse momento que os cavacos dão origem a uma pasta marrom (chamada celulose não branqueada).

A fim de que esse processo aconteça, a tamperatura dos digestores precisa estar a 150 ºC. Além disso, são adicionados sulfato de sódio e soda cáustica, pois é a partir destes elementos que a lignina se dissolve e a polpa de celulose tem maior qualidade. Este processo dura aproximadamente 120 minutos.

Branqueamento

Esta etapa serve para deixar a celulose com a sua cor natural. Para isso é possível realizar um tratamento químico ou enzimático. São utilizadas peneiras para remover as impurezas da celulose, deixando suas propriedades mais interessantes para a indústria.

No tratamento químico, são adicionados alguns produtos: peróxido de hidrogênio, dióxido de cloro, oxigênio e hidróxido de sódio. Tudo para conferir as propriedades desejadas para a celulose.

Um fator que deixa o branqueamento mais difícil é a alta concentração de lignina. A presença dela confere uma coloração mais amarelada ao papel, como explicado no polpeamento por processo mecânico acima.

Secagem

Por fim, a secagem finaliza o processo produtivo do papel. Nesta etapa final acontece a retirada de água da celulose e esta é colocada na mesa plana, que é uma máquina que transforma o papel em uma folha contínua e lisa.

Nesse momento o objetivo é que a celulose atinja um equilíbrio de umidade com a umidade relativa do ar. Assim, a folha de celulose passa por rolos de prensagem e secagem com ar quente.

Finalmente, a cortadeira reduz o papel em pedaços menores que são distribuídos em fardos, que vão ser utilizados na produção de diferentes tipos de papeis.

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